Guia dos Artistas de Rua
O guia dos artistas de rua define o termo mundialmente como Busker: uma pessoa que entretêm em lugares públicos em troca de doações.
Apesar de não serem tipos comuns no país, os artistas que fazem performances na rua já existem a centenas - talvez milhares - de anos por todo o mundo. Na idade média eram chamados de Bardos e mais tarde se tornariam os Trovadores. A própria história da música está ligada às apresentações em grandes centros e lugares públicos.
A tradição diz que basta encontrar um bom espaço, em uma praça ou rua, tirar seu instrumento e começar a tocar. Na teoria é isso, mas na prática há desafios a vencer para que sua apresentação seja bem sucedida.
O primeiro desafio é: o guia dos artistas de rua não existe, portanto você irá aprender fazendo ou (agora) lendo relatos de pessoas que tentam fazer. Eu resolvi escrever umas “regras” abaixo de acordo com minha experiência pessoal, digo regras, mas talvez a palavra seja “dicas” já que não existem regras para a arte. Vai servir se você pretende fazer isso um dia, ou simplesmente como algo a mais para conhecer.
Lugar - Como todo bom músico você pretende ser ouvido, então a escolha do lugar é fundamental e funciona mais ou menos assim: muitas pessoas + acústica boa = mais atenções voltadas pra você. Já testei colocar as coisas exatamente no meio da calçada e tocar, a visibilidade é muito boa mas o som do banjo parecia fugir por todos os lados sem dar o nível de volume necessário para alcançar as pessoas em um raio de distância bom. Tocar próximo a uma parede, ou qualquer tipo de estrutura que possa desviar e direcionar o som é o mais apropriado quando você não usa aplificadores e tem que lutar contra o som da rua à sua frente. Variar de lugar parece ser uma boa regra também, tenho testados os melhores e tentado montar um cronograma para as apresentações.
Transporte - Minha concepção é a seguinte “quanto mais leve sua bagagem mais longe você irá”. Se você tiver amplificadores, terá de ter onde liga-los, portanto a energia pode ser um impecilio na hora de tocar em qualquer lugar. Imagine que quanto mais coisas você leva mais tempo você demorá pra montar e desmontar, sem contar que transportar tudo isso pode ser muito ruim caso você use transporte público.
Apresentação - Esse item engloba dois outros: instrumento e repertório. Aqui cabe ao artista escolher e aplicar sua criatividade. Não há uma regra quanto ao número de instrumentos, tipo de música ou o que tocar na rua, é nesse ponto que entra o talento e dele acontece a magia da apresentação. Depois de montar as coisas e começar a tocar eu geralmente entro em uma espécie de transe com a música e a única coisa que vai quebrando isso é o cansaço físico. O que acontece no “durante” eu só consigo definir em uma palavra: magia.
Doações - Elas podem acontecer, ou não. E o certo é você não se basear nelas. Coloque o chapéu lá, abra seu case, faça uma placa escrito “obrigado” mas não espere por nada. Dizem que colocar umas notas ali ajuda a chamar as “outras”, eu geralmente faço isso mas procuro pensar da seguinte forma “essa é minha doação para minha arte”. Deixe a música falar mais alto e ela mesmo lhe dirá quanto vale.